Arquivo diário 28 de agosto de 2026

Beleza – Geovanna Rodrigues Mendes

Não acredito que a beleza seja algo estático como as estátuas ou monumentos erguidos em seu nome — apesar de possuírem, não são.

A beleza provém do movimento, aperfeiçoamento. É ir contra a natureza em que as coisas estão fadadas desde o princípio (o caos), trazer ordem, sentido a matéria bruta.

A própria natureza é um ótimo exemplo — talvez o melhor que se pode ter neste plano. Cada qual carrega e transmite de forma diferente a beleza. Outono, inverno, verão ou primavera; todos são singulares em suas performances, mas carregam algo em comum.

E (penso eu) que o movimento que traz o ponto de inflexão entre essas características seria a beleza. O encanto das quatro estações são apenas consequência do movimento da beleza, ou talvez, da beleza em movimento (assim como as obras de arte, arquitetura ou até os poemas e a boa música).

Outro ponto a considerar é que essa movimentação é simplesmente a natureza entregando o melhor de si com que ela possui. Talvez o homem tenha mais a aprender com ela do que pensa.

Agora sobre o exercício— muitas vezes, tentativa — da “beleza” do homem na sociedade, acredito que o maior erro que poderia cometer é tentar relativizar o sentido da palavra, com a intenção de suprimir a responsabilidade que se tem sobre ela. Não existem diferentes espécies de beleza, ela é um princípio absoluto mas a forma de cada um transmiti-la a permite ter muitos rostos.

Alguns são mais belos que outros — não uma beleza melhor (qualidade), mas maior (quantidade). Outros ainda conseguem transmitir através da matéria, a outra parte prefere mostrar através do convívio e o restante a enterra e prefere deixar apenas o desleixo e a desordem como herança.

No mais, somos todos artistas apresentando a singularidade que possuímos aos semelhantes. A beleza não está no quadro do artista, tampouco em suas mãos. Ela surge de quem o artista é, ou em quem ele pretende se tornar. A ideia de aperfeiçoamento — não das habilidades, mas da pessoa — traz completude, e esse movimento de “lixar as arestas” é um onde mora a beleza. A maior arte do artista é aquilo que ele mesmo carrega.

Em termos da teologia Cristocêntrica — acredito que seja a mais real —, a beleza impressa na raça humana é, na verdade, um indício da natureza de Deus. Então, refletir sobre a beleza que existe em cada respiração é a melhor forma que se pode conduzir a assinatura que a criatura carrega de seu criador.

Todos nós possuímos beleza, apesar do “ser” depender de uma escolha pessoal, ainda possuímos muito mais do que merecemos.

 

Sobre a autora: Estudante e escritor iniciante. Interessada em literaturas e nas complexidades da existência humana.