Arquivo mensal 19 de setembro de 2026

EDITAL 002 – 1ª ANTOLOGIA LITERÁRIA DO MOVIMENTO CULTIVISTA DE ALAGOINHAS — VOL. 1

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EDITAL DE PARTICIPAÇÃO – 1ª ANTOLOGIA LITERÁRIA DO MOVIMENTO CULTIVISTA DE ALAGOINHAS —  Partilha da Memória: Fragmentos em Versos e Prosas

 

Organização: Leandro Flores e Débora Tauane
Publicação: Editora Novos Sabores Publicações

 

1. DA ANTOLOGIA

 

O Movimento Cultivista de Alagoinhas torna público o presente edital para participação na 1ª Antologia Literária do Movimento Cultivista de Alagoinhas — Vol. 1, Partilha da Memória: Fragmentos em Versos e Prosas, obra em língua portuguesa destinada à valorização, divulgação e circulação da produção literária de poetas e escritores.

A publicação será realizada pela Editora Novos Sabores Publicações, sob organização de Leandro Flores e Débora Tauane.

 

2. DO PÚBLICO-ALVO

 

A antologia será destinada prioritariamente a poetas e escritores de Alagoinhas e região.

Autores de outras localidades também poderão participar, desde que integrem o grupo de algum núcleo do Movimento Cultivista.

A participação de menores de 18 anos será permitida mediante autorização do responsável legal, conforme previsto no formulário de inscrição.


3. DA PARTICIPAÇÃO

 

Cada participante deverá fornecer, por meio do formulário de inscrição:

a) nome completo e, se houver, nome artístico;
b) CPF;
c) e-mail e telefone/WhatsApp;
d) endereço completo com CEP;
e) foto recente;
f) minibiografia;
g) texto para publicação;
h) demais informações solicitadas no formulário.


O poema poderá ter até 20 linhas por página.

O participante poderá publicar em uma ou mais páginas.

Caso o poema ocupe duas ou mais páginas, será considerado o valor correspondente ao número de páginas efetivamente utilizadas.


* Os textos submetidos deverão ser de autoria do próprio participante e não poderão ser manifestamente produzidos por ferramentas de Inteligência Artificial (IA). A utilização de recursos tecnológicos como apoio à revisão, correção ortográfica ou aprimoramento do texto não será considerada, por si só, produção por IA.

 

4. DAS INSCRIÇÕES

 

A inscrição será realizada exclusivamente por meio de formulário, disponibilizado pela organização.

O texto poderá ser anexado ao formulário ou inserido diretamente no campo destinado a essa finalidade.


Período de inscrições: até 10 de outubro de 2026.

5. DO VALOR DE PARTICIPAÇÃO E DOS EXEMPLARES

 

O valor de participação será de R$ 50,00 (cinquenta reais) por página publicada.

Para cada página contratada, o participante terá direito a 1 (um) exemplar da antologia, com frete incluso.

 

1 página — R$ 50,00 — 1 livro, com frete incluso
2 páginas — R$ 100,00 — 2 livros, com frete incluso
3 páginas — R$ 150,00 — 3 livros, com frete inclusoe assim sucessivamente.

 

O participante poderá contratar mais páginas, mantendo-se a proporção de R$ 50,00 por página e 1 exemplar por página, com frete incluso.

 

6. DOS EXEMPLARES AVULSOS

 

O exemplar avulso da antologia terá o valor de R$ 35,00 (trinta e cinco reais), com frete incluso.

 

7. DAS VAGAS GRATUITAS

 

Serão disponibilizadas 6 (seis) participações gratuitas destinadas a integrantes do Movimento Cultivista África e do Movimento Cultivista Jovem.

Os critérios para a escolha das vagas gratuitas, bem como a eventual disponibilização de novas vagas, serão definidos pela equipe organizadora.

A gratuidade refere-se à participação na publicação e não inclui os custos de envio dos exemplares.

 

8. DO PAGAMENTO

 

Os valores informados neste edital são para pagamento à vista, via PIX ou boleto.

PIX — CNPJ: 40.813.046/0001-44

O pagamento será identificado em nome de Novos Sabores Publicações, podendo também aparecer em nome da razão social da empresa, Leandro Flores do Nascimento.

Para pagamento por cartão de crédito, serão acrescidas as taxas da operação. As condições poderão ser consultadas pelo WhatsApp (71) 99153-5442 ou pelo e-mail movcultivista.alagoinhas@gmail.com.

O comprovante de pagamento deverá ser anexado ao formulário de inscrição ou enviado para um dos contatos acima.

 

9. DO IDIOMA

 

A antologia será publicada em língua portuguesa.

 

10. DA AUTORIZAÇÃO PARA PUBLICAÇÃO

 

Ao realizar a inscrição, o participante deverá declarar sua concordância com a publicação do texto enviado e com a utilização de sua imagem para fins relacionados à edição, publicação e divulgação da obra, conforme autorização constante no formulário de inscrição.

No caso de menores de 18 anos, a autorização deverá ser concedida pelo pai, mãe ou responsável legal.

 

11. DA PUBLICAÇÃO

 

Os textos integrarão a obra:

PARTILHA DA MEMÓRIA: FRAGMENTOS EM VERSOS E PROSAS — VOL. 1

1ª Antologia Literária do Movimento Cultivista de Alagoinhas

Organização: Leandro Flores e Débora Tauane
Publicação: Editora Novos Sabores Publicações

Esta será a primeira antologia literária do Movimento Cultivista de Alagoinhas e o início de uma coleção que pretende reunir, em novos volumes, diferentes autores, histórias e produções literárias.

 

12. DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

 

A inscrição implica conhecimento e concordância com as condições estabelecidas neste edital.

Cada participante é responsável pela autoria e pelo conteúdo do material enviado.

As situações não previstas neste edital serão analisadas pela organização.

 

ORGANIZAÇÃO

Leandro Flores — idealizador do Movimento Cultivista e atual Coordenador Geral.
Débora Tauane — Coordenadora do Movimento Cultivista de Alagoinhas.

 

PUBLICAÇÃO
Editora Novos Sabores Publicações

 

MOVIMENTO CULTIVISTA DE ALAGOINHAS

1ª Antologia Literária — Vol. 1

 

Para fazer sua incrição, clique aqui.

1ª ANTOLOGIA LITERÁRIA DO MOVIMENTO CULTIVISTA DE ALAGOINHAS — VOL. 1 Partilha da Memória: Fragmentos em Versos e Prosas

Da minha aldeia – Por Carina Gameiro

Esses dias, assistindo a uma entrevista de Elisa Lucinda, fiquei pensando na força de uma palavra quando ela nasce de um lugar verdadeiro.

Elisa fala de sua terra, de sua identidade, de sua gente. E eu pensei na minha aldeia.

Porque é dela que eu parto.

Daquilo que conheço, do que vivi, das coisas que me acontecem. Da minha rua, das minhas memórias, das pequenas histórias que, à primeira vista, parecem só minhas.

Mas escrever é descobrir que o particular também pode ser universal.

Quando falo da minha realidade, alguém se reconhece.

E quando o outro se reconhece, a minha palavra já não é somente minha.

Para mim, é aí que a escrita se torna um ato poelítico: poesia que nasce da vida, mas que também olha para ela, questiona, provoca e pode transformar.

Foi pensando nisso que voltei ao Manifesto ao Cultivismo.

Arte, cultura, educação e filosofia: quatro caminhos que se encontram na palavra. A arte que expressa, a cultura que guarda e compartilha, a educação que forma e a filosofia que provoca.

E a poesia, nessa visão, não precisa apenas ser bonita. Precisa carregar sentido. Precisa ter uma mensagem capaz de encontrar o outro.

Foi isso que pensei ao ouvir Elisa.

Sua palavra nasce da vida, mas não fica presa a ela. Ganha voz, corpo, pensamento. Sai da sua aldeia e encontra outras aldeias.

A poesia tem essa força: falar de onde viemos sem deixar de conversar com o mundo.
Eu falo da minha aldeia.

Falo de mim, do que vejo, do que vivo.

E quando a minha palavra encontra você, ela já não é só minha.

Ela ganhou mundo.

A Palavra em Movimento: o Manifesto ao Cultivismo e a Poética de Elisa Lucinda – Por Ricardo Oliveira

Há palavras que permanecem quietas sobre o papel.
Outras, porém, parecem não aceitar o repouso.
Caminham, atravessam ruas, entram nas casas, sentam-se à mesa, observam os gestos humanos e, quando menos esperamos, transformam aquilo que parecia cotidiano em matéria de poesia.
É nesse território de movimento que podemos aproximar o Manifesto ao Cultivismo da poética de Elisa Lucinda.
Não se trata de afirmar que a poeta tenha escrito sob os princípios do Cultivismo, nem de estabelecer uma filiação direta entre sua obra e o manifesto.
A aproximação é outra: observar se determinadas concepções sobre a palavra, a criação poética e a relação entre literatura e vida encontram, em sua produção, pontos de convergência.
O primeiro encontro talvez esteja justamente na compreensão da palavra como algo vivo.
A palavra não é apenas instrumento.
Ela é matéria.
É corpo.
É experiência.
É memória.
Quando sai do dicionário e encontra a boca de quem fala, passa a carregar uma história.
Quando encontra o ouvido de quem escuta, transforma-se novamente.
Quando chega ao poema, já não pertence inteiramente ao poeta.
É aí que a poética de Elisa Lucinda nos chama atenção.
Sua poesia frequentemente recusa a distância entre o poema e a vida.
A fala cotidiana pode tornar-se verso; o acontecimento aparentemente banal pode adquirir densidade poética; a experiência individual pode abrir caminho para uma reflexão coletiva.
Há uma poesia que não deseja permanecer encerrada na página.
Ela quer ser dita, escutada, compartilhada.
E talvez seja justamente nesse ponto que o Manifesto ao Cultivismo possa ser lido como uma defesa da palavra em movimento.
Cultivar é diferente de simplesmente produzir.
Quem cultiva prepara a terra, observa o tempo, reconhece as sementes e compreende que aquilo que nasce precisa de cuidado.
A palavra, quando cultivada, também exige atenção.
Não basta juntar frases bonitas.
É preciso permitir que a linguagem encontre aquilo que pulsa dentro da experiência humana.
Elisa Lucinda parece compreender esse princípio quando transforma a oralidade em força estética.
Sua poesia tem algo de conversa.
Mas não é uma conversa despretensiosa.
É uma conversa que sabe da força da língua.
O verso aproxima-se da fala sem perder sua elaboração poética.
O cotidiano entra pela porta da literatura sem precisar pedir licença.
E quando a poesia fala como quem conversa, acontece algo importante: o leitor deixa de ser apenas leitor e torna-se ouvinte.
A palavra poética passa a ter voz.
Esse aspecto encontra outra possível convergência com o Cultivismo: a valorização da linguagem como experiência, e não apenas como ornamento.
A poesia não precisa esconder sua força atrás de uma linguagem hermética para ser profunda.
Às vezes, a profundidade está justamente na capacidade de dizer aquilo que todos conhecem, mas poucos conseguem formular.
Uma palavra simples pode carregar uma tempestade.
Uma frase cotidiana pode revelar uma estrutura social.
Uma experiência íntima pode denunciar uma injustiça.
Uma lembrança pode tornar-se memória coletiva.
Na poética de Elisa Lucinda, a palavra frequentemente assume essa responsabilidade.
Ela não está interessada apenas em produzir beleza.
Há também uma necessidade de interrogar o mundo.
O poema pode falar de afetos, desejos, relações, identidade, desigualdades, preconceitos e das contradições da sociedade.
Assim, a poesia deixa de ser uma janela pela qual observamos o mundo e passa a ser uma forma de intervir nele.
Aqui encontramos outra possibilidade de diálogo com o Manifesto ao Cultivismo: a ideia de que cultivar a palavra é também cultivar consciência.
A literatura pode ser jardim, mas não um jardim isolado do mundo.
Há terra sob as unhas.
Há pedras.
Há chuva.
Há ervas daninhas.
Há sementes que insistem em nascer onde ninguém esperava.
A poesia de Elisa Lucinda parece caminhar por esse jardim sem medo de sujar os pés.
Sua palavra aproxima-se do humano em sua complexidade, inclusive quando esse humano é contraditório, doloroso ou socialmente incômodo.
E talvez seja por isso que sua poesia tenha uma dimensão tão performática.
A palavra parece pedir presença.
Quer corpo.
Quer respiração.
Quer pausa.
Quer silêncio entre um verso e outro.
A poesia, quando dita, ganha outra existência.
A voz modifica o sentido.
O gesto modifica a palavra.
O olhar modifica o poema.
Nesse sentido, a palavra não é estática: ela acontece.
É justamente o movimento que interessa.
Se o Manifesto ao Cultivismo pode ser compreendido como uma proposta de cultivo da linguagem e da experiência poética, Elisa Lucinda oferece, em sua prática poética, um exemplo expressivo de como a palavra pode sair da página e reencontrar a vida.
Há ainda uma convergência importante: a valorização da experiência humana como matéria literária.
O poeta não escreve a partir de um vazio.
Escreve a partir do que viu, ouviu, sentiu, sofreu, desejou, perdeu, imaginou.
A realidade entra na poesia não como simples reprodução, mas como transformação.
É possível dizer, portanto, que cultivar a palavra significa também cultivar o olhar.
Olhar para aquilo que todos passam correndo.
Olhar para a pessoa esquecida na esquina.
Olhar para o amor quando ele parece banal.
Olhar para a dor quando ela foi naturalizada.
Olhar para si mesmo quando seria mais confortável olhar para o outro.
A poesia começa muitas vezes nesse gesto de atenção.
E Elisa Lucinda sabe transformar atenção em linguagem.
Sua poética mostra que o cotidiano não é necessariamente o contrário do poético.
Pelo contrário: pode ser justamente sua matéria-prima.
O poema não precisa fugir da rua para encontrar a beleza.
Pode encontrá-la na rua, no corpo, na conversa, no conflito, no desejo e nas pequenas situações que compõem a existência.
Essa postura também permite pensar o Cultivismo para além de uma simples proposta estética.
Cultivar a palavra é uma forma de resistência.
Num mundo em que as palavras são constantemente banalizadas, aceleradas e utilizadas para manipular, recuperar o valor da linguagem torna-se uma atitude ética.
A poesia pode devolver peso às palavras.
Pode impedir que certas dores sejam esquecidas.
Pode questionar discursos prontos.
Pode abrir espaço para vozes historicamente silenciadas.
Pode transformar aquilo que parecia individual em experiência compartilhada.
Nesse ponto, a aproximação com Elisa Lucinda torna-se especialmente significativa.
Sua poesia demonstra que a linguagem pode ocupar um lugar de enfrentamento sem abandonar a sensibilidade.
A palavra pode ser delicada e contundente.
Pode acariciar e provocar.
Pode fazer rir e, segundos depois, obrigar-nos a pensar.
Pode falar de amor e, simultaneamente, revelar as estruturas que atravessam os sujeitos que amam.
Essa multiplicidade talvez seja uma das maiores forças da palavra em movimento.
Porque uma palavra verdadeiramente cultivada não fica parada.
Ela cresce.
Muda de significado.
Encontra outras vozes.
Passa de boca em boca.
Sai do poema e chega ao palco.
Sai do palco e chega ao leitor.
Sai do leitor e volta ao mundo transformada.
É nesse circuito que podemos encontrar a principal convergência entre o Manifesto ao Cultivismo e a poética de Elisa Lucinda: a compreensão da literatura como experiência viva da linguagem.
Não é possível afirmar que sejam a mesma coisa.
Não são.
O Manifesto ao Cultivismo constitui uma formulação própria, com seus princípios e sua concepção particular de criação.
Elisa Lucinda possui uma trajetória poética própria, construída por diferentes influências, experiências e formas de expressão.
Mas a leitura comparativa permite perceber um território comum.
De um lado, o Cultivismo propõe pensar a palavra como algo que deve ser cuidado, desenvolvido e vivenciado.
De outro, Elisa Lucinda demonstra, em sua poesia, que a palavra pode ganhar corpo, voz, presença e consciência social.
Em ambos os casos, a linguagem não aparece como objeto morto.
Ela está em movimento.
E talvez essa seja a imagem mais bonita para encerrar esta conversa: a poesia como uma semente que não aceita permanecer semente.
Ela quer romper a terra.
Quer encontrar o sol.
Quer atravessar o concreto.
Quer alcançar alguém.
Porque a palavra, quando verdadeiramente cultivada, não termina no ponto final.
Ela continua no leitor.
Continua na voz.
Continua na memória.
Continua na rua.
Continua no mundo.
E talvez seja esse o verdadeiro movimento da poesia: fazer com que aquilo que foi escrito continue acontecendo depois que o poema termina.
A palavra não repousa.
A palavra caminha.
E, enquanto caminha, transforma quem a diz, quem a escuta e, por vezes, até aquilo que parecia impossível transformar.
É nesse movimento que o Manifesto ao Cultivismo encontra a poética de Elisa Lucinda: não necessariamente por uma influência direta, mas pela possibilidade de reconhecer, em ambos, uma mesma confiança fundamental na potência da linguagem.
A palavra pode ser cultivada.
Mas, quando floresce, ela já não pertence ao jardim.
Pertence ao mundo.

Conceição em Nós – Por Débora Tauane

Conceição Evaristo,
Uma mulher negra,
Símbolo de força, ancestralidade e resistência,
Criadora do conceito de Escrevivências.

Não é à toa que, no Movimento Cultivista, ela é inspiração.
Foi então que surgiu o Manifesto Cultivista,
E, nos pilares presentes,
Está o famoso método de Conceição:
Escri-vivências: escrever vivências.

Tudo o que o Manifesto propõe na teoria
É o que Conceição chama de Escrevivência na prática:
A arte que nasce da nossa própria história.

O Manifesto nos ensina que
A arte não precisa de linguagem difícil.
Ela é simples, objetiva, inclusiva.
Ela pode estar presente no nosso dia a dia,
Nas nossas vivências e memórias.

Débora Tauane

E assim termina essa bela reflexão sobre Conceição Evaristo e o Manifesto Cultivista.

Opa, ainda falta uma…

Uma homenagem às:

Conceições

Dizem que toda Conceição
Acolhe e espanta a mágoa.
Evaristo e a Costa em ação,
Enchem os nossos Olhos d’Água.

— Breno Ferreira

Agora sim, obrigada pela atenção!

Mobilização popular pela pavimentação da estrada que liga Condeúba à Mortugaba ganha força na internet

Uma mobilização popular pela pavimentação da estrada que liga Condeúba à Mortugaba, passando pelo Distrito do Alegre, vem ganhando força na região. Moradores, lideranças e apoiadores têm se organizado em diferentes frentes para chamar a atenção do poder público para uma reivindicação considerada estratégica para o desenvolvimento das comunidades atendidas pelo percurso.

Entre os participantes da mobilização está o advogado, professor e escritor condeubense Leandro Flores do Nascimento, que vem atuando na articulação da demanda junto a representantes políticos e órgãos públicos, além de colaborar com ações de divulgação e mobilização popular.

A iniciativa já reúne centenas de participações por meio de abaixo-assinados físico e eletrônico. A mobilização também acontece em grupos de WhatsApp, redes sociais, encontros, associações e contatos com autoridades e representantes políticos.

O movimento defende que o primeiro passo seja a realização, pelo Governo do Estado da Bahia, de um estudo técnico e de viabilidade para a pavimentação da ligação Condeúba–Alegre–Mortugaba. A partir desse levantamento, a expectativa é buscar alternativas para tornar a obra possível.

Entre as possibilidades defendidas estão a cooperação entre o Estado e os municípios de Condeúba e Mortugaba, convênios, consórcio público, acordos de cooperação, transferência de recursos, emendas parlamentares, execução por etapas ou outros instrumentos administrativos e financeiros legalmente possíveis.

Caso a condição municipal da estrada represente obstáculo à participação mais efetiva do Governo da Bahia, a mobilização também considera, de forma subsidiária, a possibilidade de estadualização do trecho. A proposta, entretanto, não coloca a estadualização como finalidade.

> “Nosso objetivo não é a estadualização. Nosso objetivo é o asfalto. O importante é encontrar uma solução que permita transformar essa reivindicação das comunidades em realidade”, afirma Leandro Flores.

A mobilização já começa a provocar manifestações no meio político. A deputada estadual Cláudia Oliveira acolheu a reivindicação e apresentou uma Indicação ao Governo do Estado da Bahia e à Secretaria de Infraestrutura — SEINFRA, solicitando providências relacionadas à pavimentação.

Mais recentemente, o gabinete do deputado estadual Tiago Correia também elaborou um Projeto de Indicação dirigido ao Governo do Estado e à SEINFRA. O documento solicita justamente uma das principais reivindicações defendidas neste primeiro momento pela mobilização: estudos técnicos, orçamentários e de viabilidade para a pavimentação do corredor Condeúba–Distrito do Alegre–Mortugaba.

Outros gabinetes parlamentares também começaram a responder aos contatos realizados pelos integrantes da mobilização, demonstrando interesse em conhecer ou avaliar a demanda. O movimento pretende continuar buscando apoio político e institucional, independentemente de partido ou posição política.

 

INTEGRAÇÃO ENTRE BAHIA E MINAS GERAIS

 

Além dos benefícios locais, os defensores da pavimentação destacam o potencial da estrada como corredor de integração regional. A ligação é considerada importante para o escoamento da produção rural, transporte escolar, acesso à saúde, comércio e deslocamento das comunidades.

Outro ponto considerado estratégico é a possibilidade de fortalecer a integração entre o Sudoeste da Bahia e o Norte de Minas Gerais, ampliando as conexões da região com municípios mineiros e criando novas possibilidades de circulação de pessoas, mercadorias e produção entre os dois estados.

A reivindicação ocorre em um contexto de avanços na infraestrutura rodoviária da região, especialmente nas ligações de Condeúba com Jacaraci e Caculé, o que reforça, para os participantes do movimento, a importância de discutir também a continuidade da integração por meio do eixo Condeúba–Alegre–Mortugaba.

Para Leandro Flores, a prioridade agora é transformar a mobilização popular em um primeiro resultado técnico concreto.

> “Não estamos querendo antecipar qual deverá ser a solução de engenharia ou administrativa. O primeiro passo que estamos pedindo é simples: que o Estado faça o estudo técnico e de viabilidade. A partir daí teremos elementos concretos para discutir a pavimentação.”

A expectativa dos participantes é ampliar ainda mais a mobilização, conquistar novas adesões ao abaixo-assinado e manter o diálogo com o Governo do Estado, municípios, parlamentares e demais instituições que possam contribuir para a concretização da obra.

 

Leandro Flores do Nascimento é professor, advogado, escritor e cidadão condeubense. Recentemente, recebeu um prêmio internacional de literatura como escritor revelação durante a Feira Internacional do Livro no Peru.

 

Fonte: Jornal Sertão Hoje