Da minha aldeia – Por Carina Gameiro

Da minha aldeia – Por Carina Gameiro

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Esses dias, assistindo a uma entrevista de Elisa Lucinda, fiquei pensando na força de uma palavra quando ela nasce de um lugar verdadeiro.

Elisa fala de sua terra, de sua identidade, de sua gente. E eu pensei na minha aldeia.

Porque é dela que eu parto.

Daquilo que conheço, do que vivi, das coisas que me acontecem. Da minha rua, das minhas memórias, das pequenas histórias que, à primeira vista, parecem só minhas.

Mas escrever é descobrir que o particular também pode ser universal.

Quando falo da minha realidade, alguém se reconhece.

E quando o outro se reconhece, a minha palavra já não é somente minha.

Para mim, é aí que a escrita se torna um ato poelítico: poesia que nasce da vida, mas que também olha para ela, questiona, provoca e pode transformar.

Foi pensando nisso que voltei ao Manifesto ao Cultivismo.

Arte, cultura, educação e filosofia: quatro caminhos que se encontram na palavra. A arte que expressa, a cultura que guarda e compartilha, a educação que forma e a filosofia que provoca.

E a poesia, nessa visão, não precisa apenas ser bonita. Precisa carregar sentido. Precisa ter uma mensagem capaz de encontrar o outro.

Foi isso que pensei ao ouvir Elisa.

Sua palavra nasce da vida, mas não fica presa a ela. Ganha voz, corpo, pensamento. Sai da sua aldeia e encontra outras aldeias.

A poesia tem essa força: falar de onde viemos sem deixar de conversar com o mundo.
Eu falo da minha aldeia.

Falo de mim, do que vejo, do que vivo.

E quando a minha palavra encontra você, ela já não é só minha.

Ela ganhou mundo.

Sobre o Autor

Leandro Flores

Leandro Flores administrator