13 de outubro é comemorado o ”dia Internacional do Escritor”

13 de outubro é comemorado o ”dia Internacional do Escritor”

13 de outubro é o 286.º dia do ano no calendário gregoriano (Ou seja: 287.º em anos bissextos), faltando apenas 79 dias para acabar o ano.

Mas você sabia que “13 de outubro” também é comemorado o dia do escritor? Pois bem. O Dia Nacional do Escritor é comemorado em 25 de julho no Brasil. Isso todo mundo já sabe. A homenagem aos escritores no dia 25 de julho veio a partir do I Festival do Escritor Brasileiro, organizado na década de 1960 pela União Brasileira de Escritores (UBE), sob a presidência de João Peregrino Júnior e tendo como vice-presidente, o escritor Jorge Amado, um dos principais nomes da literatura nacional.

A nível mundial, os escritores são homenageados em 13 de outubro (isso mesmo!), data conhecida como o Dia Internacional do Escritor.

Frases de Escritores Internacionais

Para homenagear essa data tão ilustre, resolvemos trazer algumas frases de escritores internacionais que certamente você vai adorar. Confira só:

 

Somos todos escritores, só que alguns escrevem e outros não.” 

José Saramago (escritor português,  Nobel de Literatura de 1998).

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Todos sabem fazer história, mas só os grandes sabem escrevê-la.” 

Oscar Wilde (escritor irlandês, autor da obra “O Retrato de Dorian Gray”, seu único romance, porém, a obra é considerada uma das mais importantes da literatura inglesa.).

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“Um escritor só escreve um único livro, embora esse livro apareça em muitos tomos, com títulos diversos.”

Gabriel Garcia Marquez (escritor, jornalista, editor, ativista e político colombiano. Considerado um dos autores mais importantes do século XX, com mais de 40 milhões de livros vendidos em 36 idiomas.).

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Nosso destino não está escrito nas estrelas, mas em nós mesmos.” 

William Shakespeare (poeta, dramaturgo e ator inglês, considerado o maior escritor do idioma inglês e o mais influente dramaturgo do mundo).

 

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Fonte original da publicação: NS Publicações

Dia do Nordestino: 13 Poemas que homenageiam o nordeste e suas diferentes culturas

Dia do Nordestino é comemorado anualmente em 8 de outubro, no Brasil.

Esta data homenageia a cultura nordestina e a diversidade folclórica típica da região Nordeste do Brasil. O povo nordestino é um grande tesouro da cultura nacional, um dos maiores traços da identidade do Brasil.

O Nordeste brasileiro é conhecido pelas belíssimas paisagens naturais, culinária, artesanatos, musicalidade e danças que atraem turistas do mundo todo.

Os 9 estados que compõem o Nordeste são: Maranhão, Alagoas, Bahia, Ceará, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.

A criação desta data é uma homenagem ao centenário do poeta popular, compositor e cantor cearense Antônio Gonçalves da Silva, conhecido como Patativa do Assaré (1909 – 2002).

O Dia do Nordestino foi oficializado com a lei nº 14.952, de 13 de julho de 2009, na cidade de São Paulo, região com a maior concentração de nordestino em todo o país (com exceção do próprio Nordeste, obviamente).

Para homenagear essa data tão importante, trouxemos 13 poemas de diferentes poetas nordestinos (clássicos e contemporâneaos) que irão traduzir um pouco a representatividade desse povo tão especial na cultura brasileira e para o mundo.

Confira:

Brisa

Vamos viver no Nordeste, Anarina.
Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.
Deixaras aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.

Aqui faz muito calor.
No Nordeste faz calor também.
Mas lá tem brisa:
Vamos viver de brisa, Anarina.

Manuel Bandeira

 

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Poema: Tenho visto Deus aqui no sertão

***

 

Sodade do meu pedacim de chão

Tem tempo que larguei minha rocinha
e vim pará neste lugá
aqui trabaio noite e dia
num paro nem pra discansá

deixei minino, muié, gado, roçado
priquito e tudo quanto há
a seca foi bitela
a prantação num chegô nem a brotá

vô picá é a mula daqui
num tem como ficá mair não
a sodade já tá ardendo o peito
virô até judiação

vô é pros braços da minha véia
vô dengá os meus fiím
vô vortá pra minha terra
sê filiz do meu jeitim

vô pulá na inchorrada
quando a chuva aparicê
vô chamá de macambira
quem dizê que eu tô perê

vô butá a minha roça
tombá, prantá e esperá crescê
como fiz nos zotros zanos
sem ninguém pra esmurecê

a minha terra é trabiceiro
onde eu faço o meu labô
bom dimais mexê cum terra
vida lá é bela como uma frô

a tarde o sóu se ispriguiça
e a noite toma o seu lugá
vagalume é bicho sorto
passa logo a lumiá

quando é noite de lua cheia
aí que a coisa fica boa
vô pro terreiro cus meninos e a muié
ouvi modinha e ficá à toa…

é muito bom o meu sertão
é por isso que vô me picá
aqui num tem sossego não
só o peso do patuá

cidade grande tem imprego
gente fina e agitação
mas prum matuto, feito eu
mió mermo é seu pedacim de chão.

Leandro Flores
03/09/2015

***

Ser Nordestino

Sou o gibão do vaqueiro, sou cuscuz sou rapadura
Sou vida difícil e dura
Sou nordeste brasileiro
Sou cantador violeiro, sou alegria ao chover
Sou doutor sem saber ler, sou rico sem ser granfino
Quanto mais sou nordestino, mais tenho orgulho de ser
Da minha cabeça chata, do meu sotaque arrastado
Do nosso solo rachado, dessa gente maltratada
Quase sempre injustiçada, acostumada a sofrer
Mais mesmo nesse padecer eu sou feliz desde menino
Quanto mais sou nordestino, mais orgulho tenho de ser

Terra de cultura viva, Chico Anísio, Gonzagão de Renato Aragão
Ariano e patativa. Gente boa, criativa
Isso só me dá prazer e hoje mais uma vez eu quero dizer
Muito obrigado ao destino, quanto mais sou nordestino
Mais tenho orgulho de ser

Bráulio Bessa

 

***

Exaltação ao Nordeste

Eita,Nordeste da peste,
Mesmo com toda sêca
Abandono e solidão,
Talvez pouca gente perceba
Que teu mapa aproximado
Tem forma de coração.
E se dizem que temos pobreza
E atribuem à natureza,
Contra isso,eu digo não.
Na verdade temos fartura
Do petróleo ao algodão.
Isso prova que temos riqueza
Embaixo e em cima do chão.
Procure por aí a fora
“Cabra” que acorda antes da aurora
E da enxada lança mão.
Procure mulher com dez filhos
Que quando a palma não alimenta
Bebem leite de jumenta
E nenhum dá pra ladrão
Procure por aí a fora
Quem melhor que a gente canta,
Quem melhor que a gente dança
Xote,xaxado e baião.
Procure no mundo uma cidade
Com a beleza e a claridade
Do luar do meu sertão.

Luiz Gonzaga de Moura

***

Respeite o meu nordeste! Um Cordel para enviar àqueles que FALAM MAL do povo nordestino

***

Sendo eu um aprendiz

Sendo eu, um aprendiz
A vida já me ensinou que besta
É quem vive triste
Lembrando o que faltou

Magoando a cicatriz
E esquece de ser feliz
Por tudo que conquistou

Afinal, nem toda lágrima é dor
Nem toda graça é sorriso
Nem toda curva da vida
Tem uma placa de aviso
E nem sempre o que você perde
É de fato um prejuízo

O meu ou o seu caminho
Não são muito diferentes
Tem espinho, pedra, buraco
Pra mode atrasar a gente

Mas não desanime por nada
Pois até uma topada
Empurra você pra frente

Tantas vezes parece que é o fim
Mas no fundo, é só um recomeço
Afinal, pra poder se levantar
É preciso sofrer algum tropeço

É a vida insistindo em nos cobrar
Uma conta difícil de pagar
Quase sempre, por ter um alto preço

Acredite no poder da palavra desistir
Tire o D, coloque o R
Que você tem Resistir

Uma pequena mudança
Às vezes traz esperança
E faz a gente seguir

Continue sendo forte
Tenha fé no Criador
Fé também em você mesmo
Não tenha medo da dor

Siga em frente a caminhada
E saiba que a cruz mais pesada
O filho de Deus carregou

Bráulio Bessa

 

***

Simplesmente Sertão…

Ser tão belo,
Ser tão maravilhoso,
Ser tão grande,
Ser tão gostoso.

Ser tão meu,
Ser tão seu,
Ser tão dela,
Ser tão fera.

Ser tão cruel,
Ser tão distante,
Ser tão gigante.

Ser tão calado,
Ser tão apaixonado,
Ser tão… Simplesmente sertão!

Leandro Flores

 

***

Sertão, argúem te cantô,
Eu sempre tenho cantado
E ainda cantando tô,
Pruquê, meu torrão amado,
Munto te prezo, te quero
E vejo qui os teus mistéro
Ninguém sabe decifrá.
A tua beleza é tanta,
Qui o poeta canta, canta,
E inda fica o qui cantá.

(De EU E O SERTÃO – Cante lá que eu canto Cá – Filosofia de um trovador nordestino – Ed.Vozes, Petrópolis, 1982)

Patativa do Assaré

 

***

 

Meus versos é como semente
Que nasce arriba do chão;
Não tenho estudo nem arte,
A minha rima faz parte
Das obras da criação

Patativa do Assaré

 

***

Sertão versos

Tenho prazer de falar.
Da minha terra fiel.
Arte, Cultura, Cordel.
O verde, a flor de açucena.
Nos braços dessa morena.
Me briagar de paixão.
Nas festas de são João.
Festejar com alegria.
Sou forró e poesia.
Sou caboclo do sertão…

Autor: Rogério Dantas
Caicó- RN- 16/07/ 2013

 

***

Sou nordestino!

Sou do sertão terra quente
que é bem difícil chover
nasci de um povo valente
acostumado a sofrer
sou nordestino oxente
e tenho orgulho de ser

Guibson Medeiros

 

***

“Minha alma triste suspira
em deslumbrante desejo,
ausente da minha terra,
há tempos que não a vejo.
são suspiros arrancados
do peito de um sertanejo.”

***

Brasi Caboco

O qui é Brasí Caboco?
É um Brasi diferente
do Brasí das capitá.
É um Brasi brasilêro,
sem mistura de instrangero,
um Brasi nacioná!

É o Brasi qui não veste
liforme de gazimira,
camisa de peito duro,
com butuadura de ouro…
Brasi caboco só veste,
camisa grossa de lista,
carça de brim da “polista”
gibão e chapéu de coro!

Zé da Luz

***

Depois da “festa” quem é
Que vai se lembrar de junho?
Defender a Natureza
Pra mim não será rascunho
E sim a arte final
A nível universal
Quem falhar eu testemunho…

Raimundo Santa Helena

***

Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?

Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?

Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?

Leandro Gomes de Barros

 

    ➤ Leia também:

 

Fonte do texto: Calendarr.com

Fonte de pesquisa: Pensador.com 

Créditos das fotos: Pesquisa livre

 

 

Paulo Freire ganha homenagem em mural em São Paulo

No dia que completaria 100 anos, o pedagogo Paulo Freire ganhou uma homenagem em São Paulo. Um enorme mural foi feito na lateral de um prédio na Avenida Pacaembu. A obra é de autoria do artista visual Raul Zito, com produção e assistência do coletivo Esperanzar.

O destaque fica para a participação direta da família de Freire no mural. Além da imagem do educador, há a frase: “Esperançar: amar é um ato de coragem”.

Em 2012, Freire passou ser considerado por lei como “Patrono da Educação Brasileira”. Seu trabalho é reconhecido em todo mundo e recebeu títulos em 41 instituições de ensino, incluindo Harvard, Cambridge e Oxford.

“Pedagogia do Oprimido” é um dos seus trabalhos mais famosos e defende o papel da educação no processo de conscientizar o povo e levá-lo ao senso crítico.

Fonte: cultura.uol.com.br/

 

Conheça a história do mestre Jesuíno Coutinho (mais de 50 anos dedicados ao karatê)

O Karatê é uma arte marcial milenar. De origem japonesa, surgiu na ilha de Okinawa. Veio para o Brasil com os imigrantes japoneses. Naquela época era praticado somente entre japoneses, depois se difundiu para todos estados brasileiros. Atualmente, o Karatê está, entre as artes marciais, a modalidade mais praticada do mundo. A primeira academia fundada no Brasil foi a ABK Associação Brasileira de Karatê, em 1959, mas oficialmente registrada em cartório no dia 7 de abril de 1961, na rua Tabatinguera, nº 340, no bairro da Sé, em São Paulo.

Objetivo

O objetivo do Karatê é ajudar na saúde de seus praticantes, manter o equilíbrio, entre o corpo e a mente, o autocontrole para evitar que o praticante entre em conflito , trilhe o caminho correto, evitar o uso de produtos químicos e vários outros benefícios. O Karatê pode ser praticado por pessoas de todas as idades e por ambos os sexos, de acordo com a condição física de cada um. Só é necessário dedicação e força de vontade como em qualquer atividade da vida humana. Reserve tempo para cuidar de você mesmo. Pratique Karatê como uma filosofia de vida.

Em Condeúba

O Karatê foi implantado, em Condeúba-BA, pelo Sensei Jesuíno R. Coutinho e pela Sensei Marlene de A. Lima Coutinho. Inicialmente na AABB, em 2001 (onde fui um dos primeiros alunos) e, posteriormente, na Prefeitura, em 27 de fevereiro, de 2002, no CRAS de Condeúba, onde se encontra até hoje (…).

As categorias Sênior e Lady foram criadas no Karatê Goju-Ryu, pelos professores Jesuíno R. Coutinho e Moritoshi Nakaema, no dia 13 de dezembro de 1987, na Escola Municipal Maurício Simão, no bairro do Campo Limpo, em São Paulo, com a presença do mestre Ryuzo Watanabe e a diretoria da Associação Brasileira de Karatê (A.B.K.). A A.B.K. foi fundada em 1959, na rua Tabatinguera, 340 – 3º, subsolo, mas só foi oficialmente registrada em cartório no dia 7 de setembro, de 1961, sendo a primeira academia registrada em cartório no Brasil.

A mudança de A.B.K. para Associação esportivo/ cultural de karatê-do Goju-Ryu, foi em 2 em setembro de 1984, sendo seu primeiro presidente o sr. Jorge Nomura e vice-presidente o sr. Kiiti Hase.

O professor Jesuíno R. Cotinho Foi nomeado diretor de relações públicas, pelo mestre Ryuzo Watanabe no dia 25 de agosto de 1985.

Fonte do texto: Associação Alvorada Karatê-Do/SP Video/Documentário Produzido por Carlos Nascimento da cidade de Condeúba/BA.

 

Confira o Vídeo abaixo:

 

Cantor Edésio Nascimento ganha na loteria pela segunda vez em três meses

Pela segunda vez em menos de três meses, o cantor Edésio Nascimento, conhecido como “Milionário do Brega”, ganhou na loteria. A mais recente aposta do sortudo, que é natural da cidade de Pinheiro, a 333 km de São Luís, foi em Imperatriz, segunda maior cidade do Maranhão, pela Lotofácil de Independência.

O sorteio especial do concurso ocorreu no último dia 11 de setembro, em São Paulo, e teve um total de 57 ganhadores espalhados por todo o Brasil que tiveram que dividir o prêmio estimado em R$ 150 milhões. Logo, cada aposta levou pra casa R$ 2.791.889,50.

Veja as dezenas sorteadas no concurso 2.320: 01 – 02 – 03 – 05 – 06 – 09 – 12 – 13 -15 – 17 – 21 – 22 – 23 – 24 – 25

Uma das 57 apostas vencedoras é de Edésio, que, na verdade, fez parte de um bolão de 50 cotas. Caso o prêmio seja dividido por valores iguais, cada apostador, incluindo o “Milionário do Brega”, deve faturar R$ 55.837,79. O curioso é que o maranhense já ganhado R$ 25 milhões na Quina de São João, em junho, em outro bolão.

Cerca de um mês após vencer o prêmio milionário, Edésio teve a casa assaltada. Durante a ação, objetos pessoais como joias e instrumentos musicais foram levados pelos criminosos. O prejuízo estimado, segundo a Polícia Civil, chegou a R$ 50 mil.

Fonte da informação: G1.globo.com

A VERDADEIRA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL SERÁ EM 2022

O baderneiro subversivo da ordem pública, com medo do Ministro Alexandre de Moraes (porque ele é um ministro rígido e IRÁ ASSUMIR a presidência do TSE durante as eleições de 2022), agora fala (erroneamente) em convocar o Conselho da República (um Instituto jurídico importante de consulta do presidente para possibilidade de decretação de Estado de Defesa, Estado de Sítio ou Intervenção Federal).

É mais uma escalada no sonho de se tornar um Hugo Chaves aqui no Brasil.

A gente avisou tanto. Foram tantas manifestação do óbvio, que ele faria isso. Mas muita gente embarcou na loucura bolsonarista e agora paga o preço, inclusive ministros do STF.

Bolsonaro é um cachorro ferido, fantasiado de presidente.

Sim. Há muita gente que o segue. E são fiéis em suas delinquências. Mas venceremos a essa estupidez em breve.

Deixe Bolsonaro com seus likes e cliques. A história é bem mais que isso. A verdadeira independência do Brasil em 2022 quando derrotarmos o “megalomaníaquissimo” alucinado que é esse governo e, assim, a República completará 200 anos de independência.

“Ela não aguenta mais esse rótulo de heroína: ela só quer ter paz”

Poema de Leandro Flores que faz uma homenagem à mulher e todas as suas fases e datas.

Confira abaixo o poema:

Ela gosta sim de flores, gosta de carinho, de um mimo; de ter um dia só para ela, de se sentir importante, amada…
Gosta das mensagens que recebe no Whatsapp. Dos posts lindos que encontra no Facebook. Dos poemas e homenagens feitos pelos poetas. Tudo isso é bom. Mas o que ela mais valoriza de fato são as atitudes diárias. O respeito por parte de quem lhe diz palavras bonitas em seu aniversário ou em datas como agora no dia das mães. Ela quer ser valorizada como mulher. Como alguém que também precisa ser percebida, admirada, levada para certos lugares. Quer ter o direito de não se sentir forte o tempo todo, sair um pouco da realidade. Da condição inevitável de ser a alavanca, coluna principal do mundo. Ela não aguenta mais esse rótulo de heroína. De super mulher. De ter de ser forte em tudo e com todos. Ela só quer alguém para dividir o peso de tudo aquilo que carrega. Quer brincar com os filhos até cansar. Sorrir escandalosamente feliz ao lado de alguém, sem essas preocupações de tudo.
Ela quer ter paz, momentos de diversão com as amigas. Chorar, às vezes, quando preciso e ser resgatada, acalentada, compreendida…

É claro que ela ama ser mãe, mas ama também ser mulher.
E ambas as condições se completam em uma só vontade: de ser apenas ela mesma, como mãe e como mulher. Sem rótulos e sem paradoxos.

 

Veja o vídeo:

 

 

 

 

Autor

Leandro Flores é fundador e produtor dos Projetos ligados ao Café com Poemas.

 

Jornalista, Sertanista, Comendador, Poeta, Editor de Livros e Revistas e Designer Gráfico. Leandro é autor dos livros “Sorriso de Pedra – A outra face de um Poeta” e “Portfólio: Traços e Conceitos”. É membro-fundador da Academia de Letras do Sertão Cultivista, membro da CAPPAZ – Confraria Artistas e Poetas pela Paz, além de outras instituições Acadêmicas pelo país. Também é Coordenador e Idealizador do Movimento Cultivista Brasileiro e do Projeto Cartas e Depoimentos. Já fez participações em dezenas de antologias poéticas, além de ORGANIZAR e AUXILIAR outras publicações. Leia mais…

 

 

 

Josy Miranda: “Eu me dou o direito de cuidar de mim”

No passado, eu sofri. Tentei fazer com que me aprovassem várias vezes. Tentei me mostrar. Mostrar o meu valor.
Peguei a estrada, descobri o caminho e caminhei. Fui andando. Sozinha seria melhor caminhar. Sem levar nada, apenas o meu viver.
Na vida, peguei carona; no viver, peguei energia para seguir. Nem precisei olhar para trás. Nem precisei dizer adeus. Eu só precisava de cuidados, que até então ninguém poderia me dar. Recebi cobranças pelo que eu não devia. Cobranças de valores – do que não se vende. Cobrança do que não estava em mim. E quando fui cobrar o que de direito era meu, fui moralmente desrespeitada e obrigada a engoli as lágrimas que deixei cair.
Foi aí que mudei o rumo da minha estrada e decidi cuidar de mim. E aprovação eu me dei. Carinho eu peguei e decidi me dar.
Olhei no tempo presente e vi que tudo que estava ali, em mim. Era bem maior do que qualquer pessoa poderia me dar. E eu me dei.
Dei-me mais amor e compreensão. Carinho e aprovação. Eu me dou o direito de cuidar de mim e a evolução tornou-se constante. O amor tornou-se verdadeiro. E a verdade é que se cuidar melhora o humor a cada instante. Melhora o gosto de viver.
É se ver como você gostaria que o outro olhasse. É se aprovar sem querer aprovação.
Quando esperamos aprovação dos outros, ela nunca vem. Quando nós nos aprovamos, os resultados chegam. Eu só queria um sim para continuar caminhando. Eu me dei esse sim todas as vezes que busquei e não esperei mais o sim dos outros.
O maior e mais invencível obstáculo é aquele que criamos dentro de nós mesmos. Eu eliminei todos os dragões internos.
E há dentro de mim um desejo diferente, diferente de tudo que antes existia. Neste desejo de cuidar ainda mais daquilo que eu dei o valor necessário, da pressa que tenho de viver. E assim eu disse ao meu ser que a minha fome de viver alimenta todo o meu espaço, nutre o meu coração. E neste desafio que sempre nos cerca, temos o direito de cuidar do jardim existente em nós. E viver a melhor sensação da vida.

 

josy miranda, quem é, biografiaJosy Miranda, é escritora, jornalista e atriz. Filha de lavrador e de dona de casa. Ela nunca desanimou com os percalços da vida, adora sorrir. Sempre gostou de escrever com a alma. Imprime nas palavras o que vem do infinito do seu ser.

Saiba mais…

 

 

“Muito prazer, Josy Miranda.”

Josy Miranda, é escritora, jornalista e atriz. Filha de lavrador e de dona de casa. Ela nunca desanimou com os percalços da vida, adora sorrir. Sempre gostou de escrever com a alma. Imprime nas palavras o que vem do infinito do seu ser.

Aos 14 anos saiu da casa dos pais e foi morar em Salvador, na casa de alguns conhecidos (a ideia dela é que isso ajudaria em seu crescimento profissional, já que vivia em pequeno povoado do município de Araci).

Após um ano em Salvador ela vai morar em Acajutiba -cidade onde seus pais estavam moraram naquela época. Ficando ali por um ano e meio, quando logo volta a morar em Araci, agora não mais no povoado e sim no próprio município. Ficou um pouco mais que quatro anos em Araci- período em que concluiu o ensino médio.

Logo volta a morar em Salvador, onde conclui a faculdade em jornalismo. Começando logo em seguida a vivência no teatro.

A descoberta como escritora começou a partir do momento em que ela percebe que os pensamentos e as emoções só faziam sentidos se houvesse a possibilidade de alguém ler, só na vida adulta que descobre que escreve desde criança. Em “Meu Eu, Poesia que vem da alma”, seu primeiro livro, ela apresenta, na maior parte dele, seus escritos de adolescente.

‘A arte é uma redenção’, segundo o filósofo Arthur Schopenhauer

A arte é uma redenção — Ela livra da vontade e portanto da dor — Torna as imagens da vida cheias de encanto — A sua missão é reproduzir-lhe todas as cambiantes, todos os aspectos — Poesia lírica — Tragédia, comédia — Pintura — Músicaa ação do gênio é aí mais sensível do que noutra arte.

Todo o desejo nasce de uma necessidade, de uma privação, de um sofrimento. Satisfazendo-o acalma-se; mas embora se satisfaça um, quantos permanecem insaciados! Demais, o desejo dura muito tempo, as exigências são infinitas, o gozo é curto e avaramente medido. E mesmo esse prazer uma vez obtido é apenas aparente: sucede-lhe outro, o primeiro é uma ilusão dissipada, o segundo uma ilusão que dura ainda. Nada há no mundo capaz de apaziguar a vontade, nem fixá-la de um modo duradouro: o mais que se pode obter do destino parece sempre uma esmola, que se lança aos pés do mendigo, que só conserva a vida hoje para prolongar o seu tormento amanhã. Assim, enquanto estamos sob o domínio dos desejos, sob o império da vontade, enquanto nos abandonamos às esperanças que nos acometem, aos temores que nos perseguem, ele não é para nós nem repouso nem felicidade amável. Quer nos encarnicemos em qualquer perseguição ou fujamos ante qualquer ameaça, agitados pela expectativa ou pela apreensão, no fundo é a mesma coisa: os cuidados que nos causam as exigências da vontade sob todas as formas, não cessam de nos perturbar e atormentar a existência.

Assim o homem, escravo da vontade, está continuamente preso à roda de íxion, enche sempre o tonel das Danaides, é o Tântalo devorado de eterna sede.

Mas quando uma circunstância estranha, ou a nossa harmonia interior nos arrebata por um momento à torrente infinita do desejo, nos livra o espírito da opressão da vontade, nos desvia a atenção de tudo que a solicita, e as coisas nos aparecem desligadas de todos os prestígios da esperança, de todo o interesse próprio, como objetos de contemplação desinteressada e não de cobiça; é então que esse repouso, procurado baldadamente nos caminhos abertos do desejo mas que sempre nos fugiu, se apresenta e nos dá o sentimento da paz em toda a sua plenitude. É esse o estado livre de – todos os bens, como a felicidade dos deuses; porque nos vemos por um momento livres da pesada pressão da vontade, celebramos o Sabat depois dos trabalhos forçados da vontade, a roda de íxion pára… Que importa então que se goze o pôr do Sol da janela de um palácio, ou através das grades de uma prisão!

Acordo íntimo, predomínio do puro pensamento jiobre a vontade pode produzir-se em todo o lugar. São testemunhas esses admiráveis pintores holandeses, que souberam ver de um modo tão objetivo coisas tão pequenas, e que nos deixaram uma prova tão duradoura de desinteresse e de placidez de espírito nas cenas íntimas. O espectador não pode observá-las sem se comover, sem se representar o estado de espírito do artista, tranqüilo, sereno, com o maior sossego, tal como era necessário para fixar a atenção sobre objetos insignificantes, indiferentes, e reproduzi-los com tanta solicitude; e a impressão é ainda mais forte porque observando-se a nós mesmos, admiramo-nos do contraste dessas pinturas tão calmas com os nossos sentimentos sempre obscurecidos, sempre agitados pelas inquietações e pelos desejos.

Basta lançar um olhar desinteressado sobre qualquer homem, qualquer cena da vida, e reproduzi-los com a pena ou o pincel para que logo pareçam cheios de interesse e de encanto, e verdadeiramente dignos de inveja; mas se tomamos parte nessa situação, se somos esse homem, oh! então, como muitas vezes se diz, só o diabo a poderia sustentar. É o pensamento de Goethe:

De tout ce qui nous chagrine dans la vie La peinture nous plaît…

Quando eu era novo, houve um tempo em que me esforçava incessantemente para me representar todos os meus atos, como se se tratasse de uma outra pessoa — provavelmente para melhor os gozar.

As coisas só têm atrativo enquanto nos não tocam. A vida nunca é bela, só os quadros da vida são belos, quando o espelho da poesia os ilumina e os reflete, principalmente na mocidade quando ignoramos ainda o que é viver.

* * *

Apoderar-se da inspiração no seu vôo e dar-lhe um corpo nos versos, tal é a obra da poesia lírica. E é contudo a humanidade inteira, nos seus íntimos arcanos que reflete o verdadeiro poeta lírico; e todos os sentimentos que milhões de gerações passadas, presentes e futuras experimentaram e hão de experimentar as mesmas experiências que se reproduzirão sempre, encontram na poesia a expressão viva e fiel… O poeta é homem universal: tudo o que agitou o coração de um homem, tudo o que a natureza humana, em todas as circunstâncias, pôde experimentar e produzir, tudo que reside e fermenta num ser mortal — é esse o seu domínio que se estende a toda a natureza. Por isso o poeta pode contar tão bem a voluptuosidade como o misticismo, ser Angelus Silésius ou Anacreonte, escrever tragédias ou comédias, representar sentimentos nobres ou vulgares, segundo a fantasia ou a vocação. Ninguém poderia prescrever ao poeta ser nobre, elevado, moral, piedoso e cristão, ser ou não ser isto ou aquilo, porque ele é o espelho da humanidade e apresenta-lhe a imagem clara e fiel do que ela sente.

* * *

É um fato deveras notável e realmente digno de atenção, que o objeto de toda a alta poesia seja a representação do lado medonho da natureza humana, a dor sem nome, os tormentos dos homens, o triunfo da maldade, o domínio irônico do acaso, a queda irremediável do justo e do inocente: é este um sinal notável da constituição do mundo e da existência… Não vemos nós na tragédia os entes mais nobres, após longos combates e prolongados sofrimentos, renunciarem para sempre aos desígnios que até ali perseguiam com violência, ou desviarem-se de todos os gozos da vida voluntariamente e com prazer: como o príncipe de Calderon; Gretchen no Fausto, Hamlet a quem o fiel Horácio seguiria da melhor vontade, mas que lhe promete ficar e viver ainda algum tempo num mundo tão cruel, tão cheio de dores, para contar o destino de Hamlet e purificar-lhe a memória; assim também Joana d’Arc, e a noiva de Messine: todos morrem purificados pelos sofrimentos, isto é, depois de se extinguir neles a vontade de viver…

O verdadeiro sentido da tragédia é essa observação profunda, que as faltas expiadas pelo herói não são as deles, mas as faltas hereditárias, isto é, o próprio crime de existir:

Pues el delito mayor Del hombre es haber nacido.

A tendência e o último objeto da tragédia é inclinar-nos à resignação, à negação da vontade de viver; a comédia, pelo contrário, excita-nos a viver e anima-nos. A comédia, é certo, como toda a representação da vida humana, coloca-nos inevitavelmente diante dos olhos os sofrimentos e os lados repugnantes, mas mostra-os como males passageiros, que acabam por desaparecer numa alegria final, como um misto de sucessos, de vitórias e de esperanças que triunfam por fim; e além disso faz sobressair o que há de constantemente alegre, risível, até nas mil e uma contrariedades da vida, a fim de nos conservar de bom humor seja em que circunstâncias forem. Afirma portanto, como último resultado, que a vida considerada no seu conjunto é muito boa, sobretudo agradável e muito divertida. É preciso, bem entendido, deixar cair o pano depressa sobre o alegre desenlace, para que se não possa ver o que sucede em seguida; enquanto em geral a tragédia acaba de tal modo que não pode suceder mais nada.

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O poeta épico ou dramático não deve ignorar que ele é o destino e que deve ser implacável como este — ele é ao mesmo tempo o espelho da humanidade e tem de apresentar na cena caracteres maus e por vezes infames, loucos, tolos, espíritos acanhados, de vez em quando uma personagem razoável ou prudente, ou bom, ou honesto, e muito raramente, com a mais singular das exceções, um caráter generoso. — Em todo Homero, não há, me parece, um caráter verdadeiramente generoso, embora se encontrem muitos bons e honestos; em Shakespeare, acha-se um ou dois, e ainda assim, na sua nobreza nada há de sobre-humano, é Cordélia, Coriolano; seria difícil enumerar mais algum, enquanto os outros se cruzam aí em quantidade… Na Minna de Barnhelm, de Lessing, há excesso de escrúpulo e de nobre generosidade de todos os lados. De todos os heróis de Goethe combinados e reunidos, dificilmente se formaria um caráter de uma generosidade táo quimérica como o Marquês de Posa.

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Não há um só homem nem uma só ação que não tenha a sua importância; em todos e através de tudo, se desenvolve mais ou menos a ideia da humanidade. Não há circunstância na existência humana que seja indigna de ser reproduzida pela pintura. Por isso se mostram injustos para com os admiráveis pintores da escola holandesa, quando se limitam a louvar-lhes a habilidade técnica; com respeito ao resto olham-nos de cima, com desdém, porque representam a maior parte das vezes fatos da vida comum e só se liga importância aos assuntos históricos ou religiosos. Dever-se-ia primeiro pensar que o interesse de uma ação não tem relação alguma com a sua importância exterior, e que há por vezes entre os dois uma grande diferença.

A importância exterior de uma ação avalia-se pelas suas conseqüências para o mundo real e no mundo real. A sua importância interior, é a vista profunda que ela nos oferece da própria essência da humanidade colocando em plena luz certos lados dessa natureza muitas vezes despercebidos, escolhendo certas circunstâncias favoráveis em que as particularidades se exprimem e se desenvolvem.

A importância interior só tem valor para a arte, a exterior para a história. Uma e outra são absolutamente independentes, e tanto podem encontrar-se separadas como reunidas. Um ato capital na história pode, considerado em si mesmo, ser da última banalidade, da última insignificância: e reciprocamente, uma cena da vida quotidiana, uma cena íntima, pode ter um grande interesse ideal, se coloca em plena e brilhante luz seres humanos, atos e desejos humanos até aos mais ocultos recônditos. Sejam quais forem a importância do fim que se prossegue e as conseqüências do ato, o traço da natureza pode ser o mesmo: assim, por exemplo, quer sejam ministros inclinados sobre um mapa disputando-se territórios e povos, quer sejam os camponeses numa taberna discutindo por causa de um jogo de cartas ou dados, não importa absolutamente nada; assim como é indiferente jogar o xadrez com peões de ouro ou com figuras de madeira.

A música não exprime nunca o fenômeno, mas unicamente a essência íntima de todo o fenômeno, numa palavra a própria vontade. Portanto não exprime uma alegria especial ou definida, certas tristezas, certa dor, certo medo, certo transporte, certo prazer, certa serenidade de espírito, mas a própria alegria, a tristeza, a dor, o medo, os transportes, o prazer, a serenidade do espírito; exprime-lhes a essência abstrata e geral, fora de qualquer motivo ou circunstância. E todavia nessa quinta essência abstrata, sabemos compreendê-la perfeitamente.

A invenção da melodia, a descoberta de todos os segredos mais íntimos da vontade e da sensibilidade humana, é a obra do gênio. A sua ação é aí mais visível que em qualquer outro assunto, mais irrefletida, mais livre de toda a intenção consciente, é uma verdadeira inspiração. A ideia, isto é, o conhecimento preconcebido das coisas abstratas e positivas é neste ponto, como em toda a arte, absolutamente estéril: o compositor revela a essência mais íntima do mundo e exprime a sabedoria mais profunda, numa linguagem que a sua razão não sonâmbula dá respostas claríssimas sobre assuntos, de que, desperta, não tem conhecimento algum.

O que há de íntimo e inexplicável em toda a música, o que nos procura a visão rápida e passageira de um paraíso familiar e inacessível ao mesmo tempo, que compreendemos e que contudo não lograríamos explicar, é ela dar uma voz às profundas e surdas agitações do nosso ser, fora de toda a realidade, e por conseguinte sem sofrimento.

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Assim como há em nós duas disposições essenciais do sentimento, a alegria ou pelo menos o bom humor, a aflição ou pelo menos a melancolia, assim a música tem duas tonalidades gerais correspondentes, o sustenido e o bemol, e conserva-se quase sempre numa ou noutra. Mas na verdade não é extraordinário que haja um sinal — o bemol — exprimindo a dor, que não seja doloroso nem fisicamente nem sequer por convenção, e contudo tão expressivo que ninguém se possa enganar? Por este fato se pode avaliar a que ponto a música entra na natureza íntima do homem e das coisas. Entre os povos do norte, cuja existência é submetida a tão rudes provas, mormente entre os russos, é o bemol que domina, mesmo na música de igreja. O allegro em bemol é muito freqüente na música francesa, e muito característico: é como se alguém fosse dançar com sapatos que o incomodassem.

As frases curtas e claras da música de dança de andamento rápido, só parecem exprimir uma felicidade comum, fácil de atingir; o allegro maestoso com as suas grandes frases, exprime um esforço grande e nobre, para um fim distante que se acaba por atingir. O adágio fala-nos dos sofrimentos de um grande e nobre esforço, que despreza toda a alegria mesquinha. O que é, porém, mais surpreendente, é o efeito do bemol e do sustenido. Não é admirável que a mudança de um meio-tom, a introdução de uma terça menor em lugar de uma maior, dê imediatamente uma sensação inevitável de dor e de inquietação, de que o sustenido logo nos livra? O adágio em bemol eleva-se até à expressão da dor suprema, torna-se um queixume dilacerante. A música de dança em bemol exprime a decepção de uma felicidade medíocre, que se deveria desdenhar, dir-se-ia que nos descreve a perseguição de algum fim inferior obtido finalmente depois de muitos esforços e aborrecimentos.

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Uma sinfonia de Beethoven descobre-nos uma ordem maravilhosa sob a desordem aparente; é como um combate encarniçado, que passado um momento se resolve num belo acordo: é o rerum concordia discors — uma imagem fiel e perfeita da essência deste mundo, que gira através do espaço sem pressa e sem repouso, num tumulto indescritível de formas sem número, que se dissipam incessantemente. Mas ao mesmo tempo através desta sinfonia falam todas as paixões, todas as comoções humanas; alegria, tristeza, amor, ódio, medo, esperanças, com infinitos cambiantes, e contudo perfeitamente abstratas, sem coisa alguma que as distinga nitidamente umas das outras. É uma forma sem matéria, como um mundo de espíritos aéreos.

Depois de haver meditado longamente sobre a essência da música, recomendo o gozo dessa arte como a mais deliciosa de todas. Não há outra que atue mais diretamente, mais profundamente, porque também não há outra que revele mais diretamente e mais profundamente a verdadeira natureza do mundo. Ouvir longas e belas harmonias, é como um banho de espírito: purifica de toda a mancha, de tudo que é mau, mesquinho; eleva o homem e sugere-lhe os pensamentos mais nobres que lhe seja dado ter, e ele então sente claramente tudo o que vale, ou antes quanto poderia valer.

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Quando ouço música, a minha imaginação compraz-se muitas vezes com o pensamento de que a vida de todos os homens e a minha própria vida não são mais do que sonhos de um espírito eterno, bons e maus sonhos, de que cada morte é o despertar.

– Schopenhauer, do livro “‘Dores do Mundo‘ – capítulo ‘Arte‘”. [tradução Albino Forjaz de Sampaio]. Edições de Ouro, 1985.

 

*Texto extraído do site: revistaprosaversoearte

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