Categoria crônicas

Eleições Municipais – 2020: A dura realidade dos pequenos municípios brasileiros

Crônica

Estamos nos aproximando do pleito eleitoral em que a história parece se repetir, mais um ano difícil de pandemia do coronavírus ou COVID – 19, que acontecerá eleições municipais para (re) eleger vereadores (as) e prefeitos (as) nos 5.570 municípios brasileiros.

É um momento eleitoral diferente das eleições presidenciais, gerais e convencionais que ocorreram em nosso país, no ano de 2018. A população brasileira de modo geral, em cada um dos municípios em particular, precisa fazer uma breve reflexão acerca das escolhas democráticas pela opção de candidatos ( as) que de fato reúnem habilidades e competências para assumirem as respectivas funções as quais pretendem concorrer neste ano. Entretanto, a responsabilidade com o município não é somente dos políticos, mas também de todos nós que somos cidadãs e cidadãos da sociedade com direitos e deveres iguais para o bom funcionamento da máquina pública.

Por isso, é de grande importância para o eleitor ( a) não eleger pessoas que não apresentam nenhum preparo intelectual, ético, moral e espiritual para exercer os cargos públicos de tamanha grandeza no seu município ou cidade.

Vale salientar, que infelizmente as nossas cidades têm sofrido muito nos últimos anos pelas nossas péssimas escolhas principalmente, para o Poder Legislativo Municipal. Muitas vezes, votamos de maneira equivocada por amizade, parentesco e coleguismo em vereadores (as) que não têm a maior condição de nos representar no parlamento.

Diante desta reflexão, devo dizer-lhes que todos nós somos co – responsáveis pelo sucesso ou pelo insucesso dos nossos municípios, desde que votamos de forma responsável ou irresponsável em candidatos ( as) sem compromisso com o Bem Comum. E para isso, não precisamos mergulhar na história política do Brasil, que os exemplos de maus políticos estão em evidência.

PENSE NO SEU MUNICÍPIO ANTES DE VOTAR!

 

Antônio Santana
Professor, escritor e poeta.
Condeúba – Bahia

 

 

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Antonio Santana é também Coordenador do Mov. Café com Poemas em Condeúba/BA

Antônio da Cruz Santana nasceu na cidade de Saubara, na Região do Recôncavo Baiano, em 9 de abril de 1971. Em sua cidade natal, fez o curso primário, na Escola Estadual Professor Caio Moura, e o ginásio, no Centro Educacional Cenecista de Saubara.

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Crônica: A noite da última Ceia – Carlos Vidal

"É frustrante ouvir e ler constantemente sobre o narcísico poder messiânico da caneta que pode decidir por nossas vidas."

 

Chegou semana Santa no meio de uma pandemia e, sinto na fraqueza um paradoxal sentimento de união com a humanidade.

Uma Semana Santa na carne

Gostaria de não ter tido que experimentar desta maneira este dom, até que gostaria de ter continuado na quarentena da minha alma para não me contaminar de compaixão com aquele que sofre no outro lado do mundo. É verdade, gostaria de não ter tido que experimentar dessa maneira este dom, há comunhão no encerro e isolamento social nestas pandemias.

Nas últimas semanas tenho observado o tempo passar com uma lógica esquisita. Caótico, às vezes rápido e furioso descendo como a lama de Brumadinho de jornais e folhas digitais, e outras vezes devagar, denso e pastoso como si ele mesmo estivesse reticente a avançar e deixar para trás o que sou hoje, me segurando na própria solidão e miséria.

Sim, é a partir deste esboço interior do que estou vivendo que quero confessar e escrever neste tríduo Pascoal de Semana Santa. Porque há Graça, só que desta vez acho ela em um presente sublime tão difícil para aceitar. Um envelope que se apresenta em devaneios entre o prazer e a dor.

A Graça é um presente no presente

Sim, é muito difícil de aceitar este presente-presente. Sei pela minha fé que há Graça que não pode calar, no entanto, experimento em silêncio minha fraqueza na impotente quietude da quarentena. É difícil acolher o presente-presente, sei porque os meus braços tremem de medo quando percebo o colo do meu torturador [hoje invisível-visível] neste presente-presente.

É difícil acolher o presente-presente. Ainda mais quando ligo a televisão e enxergo discursos à nação que se tem tornado em traição explícita à própria tarefa do Estado, o Bem Comum. É angustiante a exaltação da “miraculosa” cloroquina em desprezo aos tempos científicos da experimentação de um medicamento. É frustrante ouvir e ler constantemente sobre o narcísico poder messiânico da caneta que pode decidir por nossas vidas.

-Que as famílias tomem conta dos seus Idosos! Não é rol do Estado cuidar destes seres improdutivos para a economia- ecoa a maldade do ser humano entre as almas perdidas e desconcertadas. Um povo que se devaneia em uma política que virou torcida de futebol. Só que, acho que a falta de jogos e encontros parece ter contribuído ao esquecimento do amor pelo time, enfim, me parece que o ódio que conduz é maior.

 

Outra pandemia estava escondida

Certamente, o Coronavírus não é a única pandemia que se espalha entre nossa humanidade. Observo que, também, há maldade que preambula pelas ruas, tanto físicas como cibernéticas. Esta doença mundial antes estava escondida, e hoje, aparece perante do quebre do status quo que era mantido pelo capital.

Entre surdos e cegos panelaços a favor ou contra, estou com medo. Às vezes parece que somente é o ódio o que mobiliza as ações dos frustrados cidadãos, outras vezes, porque sinto que esse ódio também chegou a mim. A Pandemia escondida já estava em mim, o álcool gel comprado em excesso foi insuficiente para me liberar, ao contrário, essa exageração era um sintoma. Além disso, parece que já estava doente e não sabia, passei muitos anos da minha vida me lavando das culpas e responsabilidades pelos outros para assim manter ritualmente minha alma asséptica dos que achava inferiores ou sujos.

Outra pandemia estava escondida e apareceu em mim. Nestes dias comecei a sentir tosse seca, falta de ar, febre alta e vontade de acabar com todos. Estou contaminado, minha garganta dói pelas palavras de misericórdia e carinho que não disse e, o peito, já não respira direto porque perdeu sua capacidade no costume egoísta de não compartilhar o mesmo ar com os demais.

A quarentena teve, aliás, está tendo, um efeito que nem diria secundário senão que essencial e primário. Este tempo com sua lógica tão esquisita, me está mostrando outra pandemia que estava escondida e somente hoje começou a se mostrar em nós.

 

 A noite da última Ceia

Têm sido inúmeras as noites em que perdi o sono, a vontade de dormir e sonhar para ficar acordado. À noite, eu quis me abraçar a aquilo que amo, e somente desde esse amor repousado e serenado no meio da escuridão é que me tenho animado a ler e analisar em diferentes línguas o que está acontecendo.

Minha fé me permite intuir que na mesa da última Ceia estamos todos e, que nos eventos que aconteceram depois deste tempo de noite e distanciamento social também. Portanto, acho um momento propício, sem missas, cultos ou reuniões, nos sentarmos à mesa para degustar o essencial, e que, embora do pouco material, poderemos achar dentro das paredes deste quarto da última Ceia em tempo de pandemia. Quero compartilhar com os poucos desta casa o que desejo com todos neste planeta, para me curar da pandemia que me adoeceu por tanto tempo sem nem saber.

Será quase uma cerimônia de exorcismo, de reconectarmos com a água batismal que nos uniu em Cristo tantos anos atrás. Deixaremos que quem esteja nosso lado seja aquele que me lave os pés, para eu aprender, e para, daqui em diante, não me enaltecer. Simbolicamente, esta (s) noite (s) da última Ceia quero trocar o lavado de mãos pelos pés, quero apreender o que significa me colocar de joelhos e reconhecer com fofura o que há de bom no meu vizinho.

Em algum sentido, acho que este gesto profético contemporâneo de ficar em casa, nos ajudará a superar a pandemia que estava escondida. Vamos parar para fixar os olhos na vida que vem dos outros, e aceitar esse presente no presente do Cenáculo.

No entanto, sempre haverá um beijo de Judas (a Cristo) no meio de nós, e nesta semana Santa não tem sido diferente. São as nossas lideranças preocupadas pela economia privada e desprezando o nosso bem comum. Mas, nesta Semana Santa espero acordar e não somente ficar fazendo a contagem crescente dos mortos e doentes.

Na (s) noite (s) da (s) última (s) Ceia (s) que estamos vivendo, não apagaremos as dores e as tristezas com ópio. Sabemos que continuaremos recebendo mensagens de ódio e desprezo à vida, pelos robôs pagos nas redes, mas não deixaremos nesta (s) noite (s) os nossos corações serem conquistados pela intenção do dinheiro dos ricos que moram no hiper topos Uranos, aqueles que usam e abusam da imagem do meu prato de comida para criar desinteresse pela minha própria vida e sair de casa nesta última ceia, pois, somente parando em casa, junto ao verdadeiro Messias, que começaremos a cura no amor do pão o do vinho, compartilhados na mesma mesa e velando no Getsêmani quanto for necessário para acompanhar e dispor a alma para vida na esperada ressurreição.

 

Carlos Vidal

Belo Horizonte, 09 de abril de 2020.

ENCONTRO COM OS ALUNOS DO COLÉGIO ADELMÁRIO PINHEIRO – POR LEANDRO FLORES

1 de ago. de 2018 22:18

Recentemente, fui convidado para um bate-papo com os alunos do Colégio Adelmário Pinheiro, no povoado da Feirinha, município de Condeúba-BA.

O convite partiu do professor e coordenador, Rubens Ribeiro, quando eu ainda estava em Salvador. A gente se conhece há muito tempo e o projeto de eu ir à escola no qual ele leciona é antigo. Por conta das minhas andanças pelo Brasil a fora, o encontro quase nunca dava certo. Até que ele me convidou novamente e como eu já estava em Condeúba, acabou dando certo.

E olha, foi uma experiência muito boa, viu. No momento da “palestra” um dos alunos até me perguntou qual evento que eu tinha ido e que tinha mais gostado. A resposta foi instantânea e verdadeira: era aquele evento… Por mais que eu já tivesse feito isso diversas outras vezes, principalmente em Salvador, Belo Horizonte (nos centros culturais e em escolas públicas), Rio de Janeiro e outros lugares, aquele evento no Colégio Adelmário Pinheiro era especial.

A começar, porque foi em minha própria terra. Condeúba é um lugar que me viu crescer, onde eu tenho um profundo carinho e até certas doses (exageradas, por sinal) de paixão. Foi aqui (ou lá) onde publiquei o meu primeiro livro, onde me inspirei para criar diversos personagens e poemas, foi onde enfrentei as maiores dificuldades (que me fizeram crescer, evidente), onde tenho meus amigos, minha família, enfim… Condeúba é um lugar que conta muito de mim, onde eu conto muito também (da cidade) por onde eu vou… afinal de conta, é aqui o lugar onde partilho dos maiores desafios (tanto no passado, no presente e, quem sabe, no futuro).

Foi uma tarde sensacional, onde tive o privilégio de falar sobre as minhas experiências como poeta e escritor, ao longo desses 10 anos de dedicação à literatura, falar das minhas obras, dos meus projetos e sobre diversos outros temas.

Os alunos, sempre bem atentos, faziam perguntas e mostravam também os seus talentos. Descobri, por exemplo, que alguns deles já haviam participado de um projeto de leitura nacional e até publicado alguns trabalhos. Vi o quanto, principalmente sobre orientação da professora Rosângela, eles produziam trabalhos (artísticos diversos). Teve até uma pequena encenação (adorei essa parte) de um aluno com o meu nome. E o pior é que o guri parecia realmente comigo (risos).

O colégio era muito bem avaliado (pelo IDEB, inclusive), como confessou a Diretora Delma Nascimento (que, coincidentemente, foi minha colega do ensino médio, juntamente com outros professores que eu tive o prazer de revê-los).

Saí de lá com as melhores impressões; dos alunos, dos professores, do colégio, da administração, enfim, de todos.

Voltaria mil vezes, como eu disse (com gratidão) a um aluno de tão proveitoso que foi esse encontro.

É isso que espero para a educação do meu país, da administração da minha cidade. Condeúba (e agora Cordeiros também) é uma cidade privilegiada por produzir bela referência na cultura (principalmente na literatura). Mas também precisa passar por essa valorização para que haja sempre belas histórias para contar (e, quem sabe, publicar). Existem muitos talentos a serem lapidados, incentivados, acolhidos e valorizados na região. Basta apenas uma oportunidade, um olhar com atenção e esses talentos aparecem (e ficarão para sempre na história porque as escritas nunca morrem, assim como os poetas também não).

Confira algumas fotos:

Leandro Flores é fundador e produtor de todos os Projetos ligados ao Café com Poemas.

Jornalista, Sertanista, Comendador, Poeta, Editor de Livros e Revistas e Designer Gráfico. Leandro é autor dos livros “Sorriso de Pedra – A outra face de um Poeta” e “Portfólio: Traços e Conceitos”.

É membro-fundador da Academia de Letras do Sertão Cultivista, membro da CAPPAZ – Confraria Artistas e Poetas pela Paz, além de outras instituições Acadêmicas pelo país. Também é Coordenador e Idealizador do Movimento Cultivista Brasileiro e do Projeto Cartas e Depoimentos. Já fez participações em dezenas de antologias poéticas, além de ORGANIZAR e AUXILIAR outras publicações. Leia mais…

Paixões ao extremo levam à perdição

Esse ambiente político/religioso é um campo minado de hipocrisia e desonestidade. 
Não há positividade em quem se apaixona aos extremos… Não há luz, nem verdades, em quem se posiciona estreitamente em um determinado lado e, sem preceitos, condena o outro com a única finalidade de se ter um algoz, com exclusiva pertinência de promoção factual. 

 

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Sim, agora ele (o opressor) é o porta-voz daquela parcela de rebanhos. Criou-se bando, organização e o seu único propósito é a representação político/partidária. 

Mesmo que a lucidez seja o meio termo, entre a razão e a fé, entre a Direita e a Esquerda, entre o dito “Sagrado” e o “Profano”, os extremistas preferem a representação, o confronto, a bandalheira.

Não podemos nos apaixonar por ideias fabricadas e retocadas, por “deuses” alheios (indiferentes a nossa realidade), por conceitos extremistas de contradições e negações que provoquem uma ‘desarmonia’ e que afetem as convicções das pessoas. 

Há um misto de possibilidades, mas sabemos que existe apenas uma verdade: aquela que se carrega em particular. 

Defenda tudo que acredita sim, mas faça isso com equilibro e com tolerância. Lute pelos os seus propósitos sim, mas sem ofensas. Sem prejudicar, nem invadir o direito do outro de pensar diferente do que você. 

É isso que Jesus gostaria que aprendêssemos quando disse: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos (Mateus 5:6).”

Há sempre uma recompensa para quem procede com justiça e retidão, sem extremismo suicida e sem paixão à ignorância.

 

 

*Texto escrito por Leandro Flores em 2016. É livre a reprodução, porém, é obrigatório citar as devidas referências de autoria e fonte.

 

 

 

Leandro Flores é fundador e produtor de todos os Projetos ligados ao Café com Poemas.

É membro-fundador da Academia de Letras do Sertão Cultivista, membro da CAPPAZ – Confraria Artistas e Poetas pela Paz, além de outras instituições Acadêmicas pelo país. Também é Coordenador e Idealizador do Movimento Cultivista Brasileiro e do Projeto Cartas e Depoimentos. Já fez participações em dezenas de antologias poéticas, além de ORGANIZAR e AUXILIAR outras publicações. Leia mais…

Jornalista, Sertanista, Comendador, Poeta, Editor de Livros e Revistas e Designer Gráfico. Leandro é autor dos livros “Sorriso de Pedra – A outra face de um Poeta” e “Portfólio: Traços e Conceitos”.

O bom e velho “FODA-SE” para os padrões da sociedade (Little Miss Sunshine)

Deleuze falava que o verdadeiro charme das pessoas consiste nos seus traços de loucura. Ou seja, somente quando há uma ruptura com a estrutura é que o indivíduo consegue ser verdadeiramente atraente, de tal maneira que não há interação e sentimento, para ele, onde não há a percepção dos traços de loucura presente nas pessoas.

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Corroborando com a visão do filósofo francês, Jonathan Dayton e Valerie Faris nos apresentam o filme “Pequena Miss Sunshine” (Little Miss Sunshine). O filme narra a história de uma família pra lá de excêntrica, marcada pelo dilema entre o sucesso e o fracasso. Nesse universo familiar somos apresentados a Olive (Abigail Breslin), uma garotinha que sonha em ganhar um concurso de beleza. Para tanto, ela treina com seu avô (Alan Arkin), um velho viciado em heroína. A fim de realizar o sonho da garota, a família se desloca em uma Kombi velha (mas, muito maneira) para chegar ao tal concurso, embarcando em um dos melhores Road Movies do cinema.

A excêntrica família passa por uma série de problemas, que vão do cômico ao dramático com perfeição, criando situações ao mesmo tempo nonsense e verossímeis. O grande problema dos personagens é que eles vivem esmagados pela pressão de serem vencedores, buscando cada um ao seu modo a fuga para os fracassos das suas vidas. Até que chegamos à cena final, em que Olive, a criança, promove a libertação dos personagens, mostrando-lhes que independente do que esperam dela no concurso de beleza, ela jamais vai conseguir ser bela sendo alguém que ela não é. Isto é, escondendo os seus traços de loucura. A sua coragem promove a catarse que liberta todos dos padrões da sociedade e da ditadura da felicidade que nos obriga a vencer sempre.

A vida é cheia de nuances e complexidades, de coisas ocultas que jamais conseguiremos descobrir, tampouco, dominar. E nós, como protagonistas dessa vida, temos que vivenciá-la com dignidade, aprendendo a lidar com as nossas vicissitudes e, acima de tudo, sendo aquilo que nós somos essencialmente, sem estarmos preocupados o tempo inteiro em atender os padrões impostos por uma sociedade hipócrita, que foi erigida sob o pilar da liberdade, mas que desrespeita esta a todo tempo.

Deleuze é perfeito ao considerar os traços de loucura como a maior beleza que um ser humano possui, já que são esses traços que nos possibilitam a criatividade, a reinvenção, o renascimento. É ela que determina a nossa excentricidade, os nossos maneirismos e, por conseguinte, as nossas idiossincrasias, aquilo que somente nós possuímos e que não encontramos em mais ninguém. Aquilo que nos torna seres singulares e que é guardado na memória daqueles que nos amam.

São os traços de loucura de Olive que a tornam uma personagem tão cativante e apaixonante. É a sua apresentação maluca que deixa ao mesmo tempo sua família e nós vibrantes, que nos faz querer dançar e ser inadequados, sem medo do ridículo e sem medo dos olhares que retiram o brilho da felicidade sincera.

Olive nos ensina a sermos pássaros que voam livremente, fora das gaiolas que a vida adulta e a pressão da sociedade nos colocam, transformando-nos em indivíduos pragmáticos e chatos, sem qualquer tipo de charme, mergulhados no reino da mesmice. Como o avô maluco beleza ensina: “Perdedores são pessoas que têm tanto medo de não ganhar, que nem sequer tentam” e para tentar, antes é preciso ser honesto consigo mesmo, dando o melhor de si, mesmo que as pessoas esperem outras coisas. Ser vencedor é ter coragem para perder com dignidade sendo quem se é, sem máscaras e adequação, com loucura e beleza, dando o bom e velho “FODA-SE” para os padrões da sociedade.

(Foto:Century Fox France/Divulgação)

Não somos iguais para estarmos todos em uma mesma forma, bem como, a vida não é uma competição que visa distribuir medalhas para quem chega em primeiro lugar. A verdadeira medalha se ganha quando cruzamos a linha de chegada e ao olhar para trás conseguimos nos enxergar em cada pegada que deixamos, sendo o que quisermos ser em cada situação, fazendo o que amamos independente do que os outros queiram ou achem.

Ninguém precisa ser admirado por todos, nem bem aceito, tampouco, deixar de fazer o que gosta para pertencer ao “grupo”. A verdadeira felicidade consiste em estar livre para voar em qualquer céu e fazer a corrida do jeito que melhor lhe apraz. Olive ensina isso para a sua família, que percebe que os fracassos que possuem também fazem parte da pessoa que são e daquilo que estão se tornando. Ensina, sobretudo, que isso não os torna perdedores, porque o que torna alguém perdedor é desistir de tentar e, principalmente, esquecer o que se é, os seus traços de loucura, para ser vencedor de uma plateia falsa e sem vida.

A vida passa muito depressa para ser um vencedor que voa apenas em uma gaiola. Felicidade, como Olive e Deleuze nos ensinam é voar livremente, enfrentando as dificuldades e as quedas que inevitavelmente sofremos, porque não adianta ser vitorioso de uma vida amarga e sem loucura, já que, lembrando Bauman: “Loucos são apenas os significados não compartilhados. A loucura não é loucura quando compartilhada”, e o compartilhamento só é possível para quem está livre, para que como Olive, consiga dançar na cara dos padrões mecânicos e falsos de uma sociedade chata e hipócrita.

Por: Erick Morais 

Fonte: Pensar Contemporâneo

Nietzsche: “Temos a arte para não morrer ou enlouquecer perante a verdade”

Nietzsche, filósofo e poeta prussiano já dizia que: “Temos a arte para não morrer ou enlouquecer perante a verdade. Somente a arte pode transfigurar a desordem do mundo em beleza e fazer aceitável tudo aquilo que há de problemático e terrível na vida” (2008).

Nunca uma frase como essa, do grande e incomparável pensador do século XIX, fez tanto sentido como agora, nestes tempos de afogamento de esperança, de sonhos, em que o país e o mando passam por diversas transformações que muitas vezes nos deixam fora de eixo, sem chão, sem saída e desesperançosos em relação ao futuro.

A arte vem como refúgio, como fuga nesse processo de endurecimento de alma. Acaba sendo uma das poucas ferramentas – ainda – capazes de trazer um sorriso, uma paixão, uma vontade de deixar as coisas mais leves, de trazer algum sentido para o mundo, traduzindo aquilo que ainda conseguimos observar e sentir como BELO, como SIGNIFICATIVO e aproveitoso para alguém e para o universo como todo.

O mundo está em cacos, se diluindo em ideologias cada vez mais extremistas, cada vez mais conflitantes e, a arte, mesmo sendo também uma ferramenta de perseguição dessa escalada da estupidez, acaba sobrevivendo (para o nosso bem) e, assim, quem sabe, algum dia possamos lembrar novamente Nietzsche, só que desta vez como chave de memória, não como lamentação de um estado fático, podendo dizer também que a arte venceu finalmente. “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música.”

*Texto escrito por Leandro Flores. É livre a reprodução, porém, é obrigatório citar as devidas referências de autoria e fonte.

 

 

Fotos: Pixabay

 

Leandro Flores é fundador e produtor de todos os Projetos ligados ao Café com Poemas.

Jornalista, Sertanista, Comendador, Poeta, Editor de Livros e Revistas e Designer Gráfico. Leandro é autor dos livros “Sorriso de Pedra – A outra face de um Poeta” e “Portfólio: Traços e Conceitos”.

É membro-fundador da Academia de Letras do Sertão Cultivista, membro da CAPPAZ – Confraria Artistas e Poetas pela Paz, além de outras instituições Acadêmicas pelo país. Também é Coordenador e Idealizador do Movimento Cultivista Brasileiro e do Projeto Cartas e Depoimentos. Já fez participações em dezenas de antologias poéticas, além de ORGANIZAR e AUXILIAR outras publicações. Leia mais…

Leandro Flores – Algo bom está para acontecer

Às vezes, tenho a sensação de que ALGO DE MUITO BOM ainda está por vir em minha vida.

Não sei o quê, nem quando isso irá acontecer, mas tenho a plena convicção de que alguma coisa muito boa já está reservada, empacotada, endereçada, diretamente à minha vida e que tenho apenas que ir buscar no lugar certo, na hora certa…

E cá entre nós: estou mesmo precisando viu…

Um novo amor, daqueles de final de novela, um emprego dos sonhos que me traga estabilidade financeira, um cantinho só meu, um passeio ao Rio de Janeiro, tirar minha carteira de motorista, fazer uma faculdade, comprar um carro novo, escrever um monte de livros, ser reconhecido, sei lá, são tantas coisas que desejo que assim fica até difícil saber o que eu realmente quero ou preciso, neste momento.

Também, a vida não tem sido muito generosa comigo, viu. Tenho enfrentado fases muito difíceis, ultimamente, a ponto de, até pensar em desistir.  Juro que dar vontade de jogar tudo para o alto e recomeçar de novo em um outro lugar diferente, seguir outras direções ou quem sabe até retornar do mesmo lugar de onde comecei!

Mas, acontece que não sou desses que desistem fácil de um determinado objetivo. Para mim, uma luta só vale a pena se tiver condição de levá-la ao final, até o último round, de preferênciaMas, não escondo o meu medo de estar fazendo (ou ter feito) tudo errado. De nadar, nadar e nadar, depois, morrer afogado, decepcionado na praia, sem força, com aquela sensação miserável de quem diz “o que é que eu vim mesmo fazer aqui?”.

Vivo sempre me perguntando: até onde vai um sonho ou a vontade de realizar certas necessidades?

Mas, se a vida é mesmo um tiro no escuro, como alguém já disse, então, vou ser o primeiro a puxar o gatilho, só mesmo para garantir a minha sobrevivência. Pá, pá, pá!!!! Há tanta coisa para conquistar que nem sei por onde começar direito,  então eu atiro. Já me acertaram demais às escuras. Já fui baleado diversas vezes, por estar frente ao alvo, sem coragem de atirar. Agora é tudo ou nada. Esses “inimigos” precisam ser combatidos antes de prosseguir rumo à minha vitória.

A realidade me consome a cada dia que passa. Tenho vontade de abraçar o mundo inteirinho de uma só vez, depois, jogar tudo no chão e catar somente os caquinhos que me interessam. Tenho pressa de conseguir o que quero logo de uma só vez, e é ai que descubro as minhas fragilidades, sou pequeno demais diante dos meus próprios sonhos.

Sei que cada coisa tem o seu tempo, e ninguém é superior a isso.

Por isso, é preciso deixar a vida me conduzir devagarzinho.

Entrar no barco e me atirar ao rio. Sem medo, sem pressa.

Sem me preocupar muito aonde vou parar, quem ou quê, irei encontrar pelo caminho,  pois, acredito que quem estará na direção é/será o maior marinheiro de todos, é quem tem me trazido até aqui. É quem se preocupa comigo. Ele sabe de tudo. Sabe dos caminhos, sabe do que preciso, do que é melhor para mim…

Que ele me guie, então, em direção aquele lago tranquilo e silencioso que se chama felicidade.

Peço a Ele apenas saúde e força para continuar seguindo em diante e assim, vou sonhando com dias melhores, bem distante de tudo e de todos que me faziam bem. Até mesmo da minha felicidade, que antes era tão próxima a mim, agora vive longe… bem longe!!

E, sem saber, ou me dando conta, vou vivendo. O tempo vai passando e tudo que eu deixo é apenas poesia e a esperança de que, ao final, tudo dê certo. Do jeitinho que quero, do jeitinho que espero e preciso.

Então, que as minhas apostas sejam certeiras. Só preciso mesmo é me convencer disso.

Estou indo buscar a minha encomenda nos correios.

Autor: Leandro Flores

Imagem: Pixabay

Obs. Texto publicado em qua, 19 dez 2012 , pelo site Ddez.com e atualizado em 15/01/2020 pelo autor.

Leandro Flores é fundador e produtor de todos os Projetos ligados ao Café com Poemas.

Jornalista, Sertanista, Comendador, Poeta, Editor de Livros e Revistas e Designer Gráfico. Leandro é autor dos livros “Sorriso de Pedra – A outra face de um Poeta” e “Portfólio: Traços e Conceitos”.

É membro-fundador da Academia de Letras do Sertão Cultivista, membro da CAPPAZ – Confraria Artistas e Poetas pela Paz, além de outras instituições Acadêmicas pelo país. Também é Coordenador e Idealizador do Movimento Cultivista Brasileiro e do Projeto Cartas e Depoimentos. Já fez participações em dezenas de antologias poéticas, além de ORGANIZAR e AUXILIAR outras publicações. Leia mais…

Você vai começar a ser feliz de verdade quando parar de expor sua vida para quem não deve

Muitas vezes, nós nos sentimos impelidos a falar sobre as coisas boas da nossa vida para as pessoas ao nosso redor. Pode ser por inocência e pureza ou também para nos exibirmos um pouco ou provar o nosso valor.

No entanto, não importa qual seja a razão, a verdade é que essa necessidade de espalhar aos quatro ventos todas as coisas boas que chegam ao nosso caminho pode cobrar de nós um preço muito alto.

Não conhecemos o coração de todas as pessoas com as quais convivemos, muitas vezes, descobrimos que nem mesmo os nossos amigos ou familiares merecem a nossa confiança, por isso precisamos estar sempre muito conscientes do tipo de notícias que permitimos que essas pessoas saibam.

Você certamente já ouviu alguém dizer que “quanto menos falamos sobre os nossos objetivos, mais chances eles têm de dar certo”, e isso é a pura verdade.

Quando externamos as nossas conquistas, permitirmos que as pessoas que nos ouvem emanem suas energias em nossa direção, e nem sempre são energias positivas.

Nem todas as pessoas nos perguntam sobre nossa vida porque se interessam verdadeiramente por nós e desejam nossa felicidade, na realidade, aqueles que realmente desejam e comemoram o nosso bem são poucos, a maioria das pessoas apenas deseja saber sobre nossa vida para comentar com os outras.

Nesse sentido, precisamos deixar a inocência de lado e analisar as pessoas mais criteriosamente, aprendendo a distinguir aqueles que realmente gostam de nós daqueles que apenas estão nos usando.

Manter a boca fechada é um dos principais segredos para a felicidade.

Se você tiver alguma notícia boa de sua vida para compartilhar, fale apenas com as pessoas em que pude confiar de verdade, ou para ninguém. A felicidade e o sucesso incomodam, e as pessoas infelizes e vazias mantêm ouvidos muito atentos.

Imagem: Freepik

Nem tudo sobre nós precisa ser do conhecimento de outras pessoas. Medir nossas palavras é zelar por nossa qualidade de vida. A felicidade  verdadeira é construída no silêncio e no respeito.

Seja discreto com a sua vida pessoal, selecione muito bem as suas companhias e pare de contar tudo para as outras pessoas, pois quem precisa saber de sua vida é você. Sua vida será muito melhor e mais feliz quando você aprender a controlar a necessidade exibicionismo. Mostrar-se para os outros pode lhe trazer alguns momentos de felicidade, mas apenas a discrição lhe permitirá aproveitar o melhor da vida de verdade, longe dos olhos invejosos.

Pare de dar satisfação da sua vida, concentre sua atenção em aproveitar o que lhe foi dado em vez de falar sobre essas coisas, assim sua felicidade será mais verdadeira e duradoura.

By: Luiza Fletcher 

* Texto escrito com exclusividade para o site O Amor. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos. Direitos autorais da imagem de capa: Sonam Prajapati por Pixabay

Dormir de conchinha com alguém que amamos é uma das melhores sensações do mundo

Dormir de conchinha com nossos amados é como acariciar diretamente seus corações, e mostrar que sempre estaremos por perto, prontos para oferecer conforto, cuidado e amor incondicional.

Praticamente todo mundo já dormiu de conchinha com alguém, pelo menos uma vez na vida, mas nem todos sabem valorizar o que isso representa. Dormir de conchinha é um gesto de amor, proteção e cuidado. É um sinal de que nos sentimos confortáveis com a outra pessoa e acreditamos que quando a envolvemos ou somos envolvidos por ela, estamos mais seguros.

É algo simples e comum, mas que faz com que nos sintamos muito especiais. Quando acontece com alguém que realmente amamos então, tudo fica ainda mais intenso.



Seja no calor ou no frio, em dias bons ou ruins, saber que a pessoa que amamos está tão pertinho da gente é reconfortante. Não há nada como sentirmos o amor do outro através desse tipo de demonstração. É realmente uma sensação única!

Se você tem alguém com quem pode dormir de conchinha todos os dias, significa que encontrou um parceiro muito especial, que está na sua vida por inteiro, porque um momento tão carinhoso como esse a gente não vive com qualquer um.

Dormir sozinho é muito bom, por vezes até mesmo libertador, mas ter a companhia de alguém que amamos e que sabemos que nos ama de volta nos dias em que a vida parece ser mais difícil é incomparável!
Esse abraço reformulado nos desperta sentimentos especiais, e sempre que dormimos de conchinha com alguém que amamos, acordamos mais animados com a vida, confortados pelo amor do outro e sabendo que por pior que tenha sido o nosso dia, sempre teremos alguém para quem voltar.

Imagem: https://www.guiadasemana.com.br

A forma de dormir de um casal revela muito sobre como o relacionamento está, e quando a conchinha se torna muito presente em nossas noites, isso mostra que as coisas estão indo muito bem, e que realmente nos sentimos em casa quando estamos com o outro.

Portanto, se você tem com quem dormir assim todos os dias, agradeça porque deitar e acordar juntinho de quem se ama é uma grande conquista.

Texto escrito com exclusividade para o site O Amor.

Por: Luiza Fletcher

*As imagens foram de pesquisas livres na internet, não identificamos quem são os autores.

Estou abraçando as minhas tristezas sem desrespeitar a minha sede de ser feliz.

Eu só sei que alguma coisa mudou dentro de mim no momento em que aprendi a aceitar as minhas emoções como caminhos para aprendizados, e não como tempo perdido…

Eu só sei que alguma coisa mudou dentro de mim no momento em que aprendi a aceitar as minhas emoções como caminhos para aprendizados, e não como tempo perdido. Não sei se isso me tornou uma pessoa mais madura, mas tenho certeza que acalmou bastante a ansiedade no meu coração. E é a partir dessa nova moldura que vivo o hoje e que tento reparar nas pessoas e situações ao meu redor.

Quantos minutos, horas, dias, semanas ou meses vai durar essa capa protetora de intensidade, não tenho nenhuma ideia. Mas é reconfortante conseguir retomar um estado de poesia sobre os pensamentos, ideias e planos que quero trilhar. Ainda assim, eu sei bem – a vida tem os seus próprios encontros. Ela se move depressa e perder e ganhar é questão de saber observar.

Às vezes é complexo. Às vezes é simples.

Outro dia fiquei pensando no significado de tanta inquietude da minha alma. Não descobri muito. Ainda. Em vez disso, acabei precisando processar dores, cicatrizes e escolhas passadas. O que parecia ter se transformado num exercício de autossabotagem, terminou sendo o início de uma terapia, de uma conversa interna que já era pra ter acontecido há muito tempo. Não foi fácil, mas foi o suficiente para que eu conseguisse respirar e meditar.

Foram lágrimas no chuveiro e algumas mortes das minhas falhas e faltas. Menos dramático do que parece, eu aprendi a renascer. Sem certo e errado. Sem querer a perfeição ou o desapego da minha vulnerabilidade. Eu tenho a capacidade e a parceria de ser mais atenção e carinho comigo.

Faço o melhor que não se importar e isso é tudo pra mim. Estou abraçando as minhas tristezas sem desrespeitar a minha sede de ser feliz. E por agora é o que consigo lidar.

Texto originalmente extraído do site CONTI outra

Por Guilherme Moreira Jr

Imagem de Enrique Meseguer por Pixabay